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Se você não está fora da sua zona de conforto, você não irá aprender nada

by • fevereiro 23, 2017 • Coluna, Criança, PapaisComments (0)584

Eu me lembro quando descobri minha gastrite estomacal, era uma beleza: não tomei coca-cola por uns 3 meses. Não tomava café, não comia chocolate, não comia frituras. Tudo porque eu simplesmente não aguentava mais aquela azia, e aquele refluxo parecia obra do capeta pra me matar.
 
Hoje? tomei coca-cola no almoço, e acabei de comer um Talento. Não está mais doendo, tá confortável.
 
Você é pai e precisa passar uma noite inteira sozinho com o bebê, mas os seus joelhos amolecem só de pensar na idéia. Você precisa trocar uma fralda, mas não consegue aguentar nem cheiro fígado acebolado. Você até quer se mostrar mais pró-ativo pra patroa, mas tem medo de fazer tudo errado. Situações como essas – importantes para o seu relacionamento e para a criação de um vínculo promissor com o seu filho(a), mas assustadoras ou chatas – são, infelizmente, isso mesmo… assustadoras, não tem o que fazer. E uma resposta fácil pra elas é evitá-las. Quem quer se sentir ansioso, tenso, frustrado sem necessidade?
Mas o problema, claro, é que essas tarefas não são somente “chatas”; são também necessárias. Conforme crescemos no mundo paterno, somos constantemente confrontados com situações onde temos que adaptar nosso comportamento. É simplesmente uma realidade do mundo em que vivemos. Seu pai não trocava uma fralda, você vai trocar, aceita logo. Sem o correto skill pra isso, acabamos perdendo importantes oportunidades de aprendizado. Como então nós, como pais, podemos parar de evitar essas tarefas assustadoras de uma vez por todas?
Primeiro, seja honesto com você mesmo. Quando você pediu pra sua esposa voltar pra casa correndo depois de umas 2 semanas enclausurada dentro de casa, foi realmente porque o bebê tava “fazendo um barulho estranho”, ou porque você estava assustado, tenso, frustrado e com preguiça de lidar com ele sozinho? Faça um levantamento de todas as desculpas que você tende a dar para evitar situações que fogem da sua zona de conforto e pergunte a si mesmo se elas são legítimas. Se alguém lhe desse essas desculpas, você as veria como legítimas, ou provavelmente como sua esposa vê as suas?
 
Então, descubra aquilo que é mais fácil pra você. Poucos pais enlouquecem em toda e qualquer situação. Você pode ter dificuldade extrema pra trocar uma fralda, mas pode ser um expert em dar o jantar da criança (eu sou péssimo no jantar, por exemplo). Descubra áreas que você tem mais domínio, e invista nelas. Eu sou péssimo pra dar comida para o Davi, mas faço ele dormir na metade do tempo que a Vanessa.
 
Finalmente, mergulhe de cabeça. Para realmente sair da sua zona de conforto, você precisa mergulhar de cabeça, mesmo que seja desconfortável. Crie uma rotina que force você a pular, e você vai descobrir que aquilo que você temia ou relutava no começo, nem era tão ruim ou dificil quanto pensava.
 
Por exemplo, eu tinha um histórico de que sempre que o Davi estava doente, a Vanessa cuidava dele, e eu assitia. Até a noite em que ela estava voando, centenas de kilometros distante, ele estava com febre, vomitou, troquei a roupa de cama, troquei a roupa dele, a febre não baixou, ele vomitou de novo, eu enloqueci, blasfemei, chorei, me recompus. E quer saber? funcionou. Eu fiz tudo que é uma belezinha, e tenho certeza que qualquer pai no meu lugar também o faria. Sem esse acontecimento me forçando a isso, eu nunca teria mergulhado.
Você pode tropeçar, mas tudo bem. De fato, é a única maneira de aprender, especialmente se você entender que errar é inevitável – e essencial parte do processo de aprendizagem. No final, por mais que nos sintamos uns bundões em situações que fogem da nossa zona de conforto, temos mais força do que imaginamos. 

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