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SEU MARIDO NÃO É TÃO IDIOTA QUANTO PARECE

by • agosto 22, 2016 • Bebê, Coluna, Homem, Mulher, Papais, Pós-partoComments (0)2659

Uma carta aberta de um pai, para todas as mães.
Nosso primeiro encontro oficial ocorreu da estranha mistura de sensações entre eu estar emocionado por ser seu pai, e não ter a menor idéia do que eu estava fazendo ali.
O bebê – ou o joelho inchado, pois havia dificuldade em identificar tal criaturinha devido a sua forma – olhava pra mim com cara de estranheza.
Estranho e ameaçador. Estranho porque nem eu nem ele sabíamos como proceder com essa nova vida. Ameaçador como característica de quem planeja mudar todos os planos que eu tinha pela frente.
Ninguém nunca me preparou para aquilo. Eu era aquele jovem que vai pra guerra pra ficar trazudindo mensagens pelo rádio, até que pela decisão infeliz de um general, é mandado para o front de batalha, e das duas uma: ou morre em 2 minutos, ou mobiliza um batalhão inteiro liderado pelo Tom Hanks pra salvá-lo no final do filme. Homens não estão preparados para serem pais, por isso, muitas vezes precisamos do apoio desse batalhão para nos salvar. E esse batalhão é você, mãe.

Se você é mulher e tá achando isso muito #mimimi, vou elucidar alguns pontos para manter minha teoria: Quando você era criança, tinha uma boneca chamada Suzy, Barbie, Baby, Stefani, não importa, mas com 5 anos de idade, você já estava dando de “mamá” por aí, feliz da vida. Você se preocupava com a papinha da Suzy. Você trocava a fralda dela. E como se não bastasse o tamanho do “absurdo”, vez por outra você ganhava um ferro de passar roupa de plástico, ou um mini-fogão pra ir se ambientando na cultura machista da sociedade em que vivíamos. Agora, você pode dizer que se conhece bem, e que isso não fez diferença nenhuma pra você. Mas eu te digo que lá no fundo, no centro do seu subconsciente, talvez tenha feito. Você foi preparada para ser mãe, mesmo sem querer. Quase que criada num laboratório.
Eu, como pai, não sei pegar o bebê direito, as vezes acho que ele vai cair no chão e eu vou destruir a minha familia. Eu não sei prender a fralda do jeito que você prende. Eu não consigo fazer 4 coisas ao mesmo tempo: trocar fraldas, fazer mamadeira, lavar a louça e impedir com que nosso cachorro lamba o rosto do nosso filho. Eu nunca sei com qual body vesti-lo. Eu pareço viver num casulo fora do nosso ambiente climático: se tá frio, coloco roupa de calor nele, se tá calor, eu coloco roupa de frio. Eu não tenho a paciência que você tem. Eu não consigo fazer ele comer o mesmo tanto que come quando tá com você. Eu não consigo passar a noite inteira acordado, tenho um monte de preocupações na cabeça, quando eu vejo, peguei no sono.
As vezes, são 2 da manhã, e eu estou acordado tentando te ajudar. O Bebê está com febre chorando, você está nervosa, e eu não estou lembrando onde fica o Tylenol. Você me olha com aquela cara de desgosto, de insatisfação gratuita. Aquela cara que se você tivesse o poder de apontar o dedo indicador pra mim e me fazer desaparecer num pequeno vulto de fumaça, você faria. Mas não faça isso. Ninguém raciocina direito frente ao perigo iminente, ninguém. E eu, esposa, estou DE-SES-PE-RA-DO.
Enquanto você sonhava em ser mãe, eu colocava o canudinho do suco no nariz e tentava expelir o ar pra fora pra fazer bolhas no copo. Porque isso é o que meninos fazem.
Se eu pudesse, voltava no tempo e equilibrava as coisas, juro. Acho super estranho o fato de você ter sido bombardeada com essas informações maternas, enquanto eu só brincava. Eu acho que você deveria ter brincado mais, e agora a gente aprenderia essa parada de ser pai e mãe juntos. Mas infelizmente não posso mudar isso. Ao contrário, enfrento a realidade de que para o curso que a sociedade te preparou durante 25 anos, eu tive fiz um supletivo rápido de 9 meses. Sem contar que você esteve e estará em contato próximo, íntimo, orgânico com nosso bebê a vida toda, um vínculo que eu nunca experimentarei.
Acho que por agora já é notório que eu sou atrapalhado e não tem novidade nenhuma nisso, mas o fato de você ficar nervosa, me deixa mais atrapalhado ainda. Outros sentimentos que passam por mim também são: frustração, incompetência em conseguir te ajudar, pânico. Pra você, parece que eu não estou dando a mínima, que não estou ligando, que não estou nem aí para o seu sono, seu cansaço, parece que não quero te ajudar, parece que não te entendo, parece que nunca me coloco no seu lugar… E a verdade é que uns 20% das vezes tudo isso é verdade mesmo. Mas é porque essas cobranças excessivas desgastam nossa relação. Você nunca está satisfeita, nunca elogia nada do que eu faço. Eu sei que trocar uma fralda é minha obrigação de pai, mas para um cara que nao treinou em bonecas a vida toda, poxa, fico felizão quando consigo fazer isso sem sujar o quarto inteiro de bosta.
Mesmo no auge da minha incompetência, você precisa de mim. Você precisa de mim pra chorar com você as vezes. Você precisa de mim pra alcançar o pacote de fraldas que tá em cima do guarda-roupa. Você precisa de mim pra te lembrar que você é mulher antes de ser mãe. Você precisa de mim pra se lembrar que Deus te fez muito mais brilhante do que eu em ser mãe para o bem do nosso filho. Você precisa de mim pra te trazer equilibrio, e fazer com que nós sejamos duros com nosso filhos nas horas necessárias. Você precisa de mim. Nosso filho também precisa de mim. Ele precisa de mim para que o caráter dele seja formado de forma plena. Ele precisa de mim pra rir, se sujar, fazer bagunça, se aventurar, se desafiar. Ele precisa de mim pra saber como ser um bom marido no futuro.
Eu não sou dispensável, desnecessário. Minha falta de noção paterna faz com que as engrenagens da nossa familia se juntem, e girem.
O ser perfeito que você gostaria que eu fosse para a nossa relação já existe, e se chama você.
Agora, vê se entende vai. Eu tirei uma foto me vestindo de mamãe pra te explicar isso, mereço certa credibilidade.
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